O processo criativo, principalmente quando inserido no contexto dos meios de produção e atrelado à questões econômicas, é sempre um sistema de ações e sub-processos únicos, e como tais difíceis de serem mensurados. Desta forma muitas vezes organizações com áreas específicas para o desenvolvimento de tarefas criativas, tentam instituir metodologias com o objetivo controlar o fluxo deste complexo processo, buscando otimizar seu tempo e ampliar suas capacidades e eficácia.
Mas onde o processo criativo tem seu real início? Na ánalise ou compreensão de um determinado objetivo? No momento da detecção de um problema? Ou quando cai o famoso briefing na caixa de entrada do nosso e-mail?
Como Designer posso dizer que o processo criativo se inicia, independemente de qual seja ele ou seu objetivo, no momento em que você opta por se tornar um Designer. A partir deste momento tudo o que é percebido, tocado, lido, visto, analizado e se torna parte de um processo complexo de aprendizados e críticas. Não existe assim o luxo da ingenuidade, do olhar e sentir trivial. Tudo deve ser criticado, tudo deve ser processado. E não apenas cores, formas, imagens e textos, o observador que apenas analisa o que é pertencente ao seu universo de conhecimento é míope. Criatividade, processo criativo e Design se constrôem tendo como base o mundo, a relação entre as pessoas, o espaço entre o animado e o inanimado. O universo, a vida e tudo mais.
Sendo assim tão complexo e impulsionado pela compressão do tempo nos atuais dias, deve ser extremamente ativo no sentido de nunca ser concluído após iniciado. É constante e cíclico. Infinito.
E o mais fantástico desde processo é que não é atrelado a rótulos. Não sou criativo por ser Designer, e nem me tornei Designer por me considerar criativo. Aliás, muitos Designers não são criativos, e nem tantos outros profissionais atrelados a áreas criativas. E ai chegamos à uma outra questão, a de achar que só os profissionais rotulados como “criativos” podem exercer este “dom”.
Balela. Existem milhares de profissionais criativos fora de áreas assim entituladas, assim como não profissionais que poderiam dar um show de como articular suas precipitações sensíveis à questões do dia-a-dia, sejam estas com propósitos comerciais ou não. Já do outro lado temos pessoas que descrêem dos “criativos-não-criativos” e com preconceito tampam seus receptores perceptivos tornando-se cegos, pelo ego ou pelo medo.
Mas enfim. Dentro de todo este contexto chego a conclusão que “criar” não seja a melhor palavra. Esta confunde-se com o surgir, magicamente instantâneo. Criar é divino, ou mesmo bruxaria. Respostas, soluções e idéias sugem do processo de perceptos. São parte de um processo vivo e complexo, composto de tentativas, erros, ajustes. Soluções não são criadas, são desenvolvidas.
Porém não basta apenas ter talento para articular percepções, o profissional que almeja uma carreira ligada ao desenvolvimento de soluções dadas como criativas precisa também de dedicação e amor, pois existem turbulências e obstáculos neste processo. Com prazos cada vez mais curtos, e digo em todas as carreiras profissionais, precisamos aprender a absorver a informação necessária para nosso dia-a-dia a todo instante, processá-la em tempo real e tê-la pronta para uso.
Da próxima vez que você se deparar com um trabalho que necessita de uma solução “criativa”, lembre-se: a resposta muitas vezes já está em você, e se não está não começará do zero.
(…).I’d say that is also essenstial to have a questioning attitude to your work. If you don’t question everything that is put in front of you, then you run the risk of being compliant and submissive, and these two qualities are not conductive to producing great work; they are qualities of mediocrity. (Adrian Shaughnessy)